Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/11422/28085

Type: Dissertação
Title: Do saber tradicional ao potencial probiótico: resgate histórico e caracterização físico-química e microbiológica do aluá de casca de abacaxi (Ananas comosus)
Author(s)/Inventor(s): Mattos, Raquel Monteiro de
Advisor: Miguel, Marco Antônio Lemos
Abstract: O aluá é um termo que abrange um grupo de bebidas fermentadas tradicionais, produzidas a partir da fermentação de diferentes matérias primas, como casca de abacaxi, milho, arroz, miolo de pão, entre outros. Apesar de sua importância histórica e cultural na alimentação brasileira, ainda são escassos os registros científicos sobre essa bebida, especialmente quanto à padronização de sua produção e à caracterização de sua microbiota. Esta pesquisa teve como objetivo preencher essas lacunas, integrando aspectos históricos, culturais e microbiológicos do aluá a partir de uma abordagem multidisciplinar. Foram realizados o levantamento bibliográfico sobre a história, os saberes tradicionais e os usos do aluá no Brasil, por meio da consulta a acervos digitais e bibliotecas; também foram realizados: a caracterização físico-química da bebida, a avaliação da qualidade microbiológica dos lotes produzidos e da microbiota presente ao longo do processo fermentativo, e a identificação dos principais microrganismos envolvidos na fermentação. Foi avaliada a presença de microrganismos potencialmente probióticos, com a seleção de um consórcio para a produção de aluá com microbiota definida. Por fim, buscou-se estabelecer uma receita padronizada, segura e sensorialmente agradável, com modo de preparo acessível e teor alcoólico inferior a 0,5 %, adequada à produção doméstica. Com base nos dados históricos e etnográficos, identificou-se a participação de povos indígenas da América do Sul e Central, e de africanos escravizados na criação e popularização do aluá no Brasil durante o período colonial (séculos XV a XIX), quando a bebida assumiu papel social, cultural e econômico relevante. A etimologia da palavra “aluá” reforça esse sincretismo cultural, com registros de termos semelhantes em diferentes línguas associados a bebidas fermentadas. O aluá também teve papel como uma bebida benéfica à saúde e responsável por alterar o estado emocional dos consumidores, podendo ter atuado como uma bebida probiótica. No presente estudo, foi possível determinar uma receita para a produção do aluá utilizando 10% (peso/volume) de cascas de abacaxi e 10 % (p/v) de açúcar, para 1 litro de água. Essa especificação foi ideal para produzir uma bebida de sabor agradável e sensorialmente semelhante ao aluá e gerar uma bebida não alcoólica segundo a legislação brasileira, por resultar em um teor alcoólico inferior a 0,5 %. Nos métodos tradicionais, observou-se o crescimento de bactérias láticas, acéticas e leveduras, com identificação presuntiva por testes enzimáticos. Já por meio de sequenciamento genético, identificaram-se espécies de bactérias láticas como Lactiplantibacillus sp., Limosilactobacillus fermentum e Lactococcus lactis, todas com características probióticas. Também foram identificadas leveduras como Hanseniaspora pseudoguilliermondii e Meyerozyma caribbica, reconhecidas pelo potencial biotecnológico. A higienização da casca com hipoclorito de sódio a 1 % não afetou a contagem de coliformes, mas reduziu a população de bactérias láticas quando comparada à lavagem com água. Este estudo contribui para o resgate e valorização do aluá como patrimônio alimentar e cultural, evidenciando seu potencial funcional, histórico e microbiológico, além de apresentar, de forma pioneira, uma proposta de padronização acessível e segura para sua produção.
Abstract: Aluá is a term that encompasses a group of traditional fermented beverages produced from the fermentation of different raw materials, such as pineapple peel, corn, rice, bread crumbs, among others. Despite its historical and cultural importance in Brazilian cuisine, there are still few scientific records about this beverage, especially regarding the standardization of its production and the characterization of its microbiota. This research aimed to fill these gaps by integrating historical, cultural, and microbiological aspects of aluá using a multidisciplinary approach. A bibliographic survey was conducted on the history, traditional knowledge, and uses of aluá in Brazil, through consultation of digital collections and libraries. The following were also carried out: physical-chemical characterization of the beverage, evaluation of the microbiological quality of the batches produced and the microbiota present throughout the fermentation process, and identification of the main microorganisms involved in fermentation. The presence of potentially probiotic microorganisms was evaluated, with the selection of a consortium for the production of aluá with defined microbiota. Finally, we sought to establish a standardized, safe, and sensorially pleasing recipe, with an accessible preparation method and an alcohol content of less than 0.5%, suitable for domestic production. Based on historical and ethnographic data, the participation of indigenous peoples from South and Central America and enslaved Africans in the creation and popularization of aluá in Brazil during the colonial period (15th to 19th centuries) was identified, when the drink assumed a relevant social, cultural, and economic role. The etymology of the word “aluá” reinforces this cultural syncretism, with records of similar terms in different languages associated with fermented beverages. Aluá also played a role as a health-promoting beverage responsible for altering the emotional state of consumers, possibly acting as a probiotic beverage. In the present study, it was possible to determine a recipe for the production of aluá using 10% (weight/volume) of pineapple peels and 10% (w/v) of sugar for 1 liter of water. This specification was ideal for producing a beverage with a pleasant taste and sensory characteristics similar to aluá while also generating a non-alcoholic beverage according to Brazilian law, as it resulted in an alcohol content of less than 0.5%. In traditional methods, the growth of lactic acid bacteria, acetic acid bacteria, and yeasts was observed, with presumptive identification by enzymatic tests. Through genetic sequencing, lactic acid bacteria species such as Lactiplantibacillus sp., Limosilactobacillus fermentum, and Lactococcus lactis were identified, all of whitch posses probiotic characteristics. Yeasts such as Hanseniaspora pseudoguilliermondii and Meyerozyma caribbica, recognized for their biotechnological potential, were also identified. Sanitizing the peel with 1% sodium hypochlorite did not affect the coliform count but reduced the population of lactic acid bacteria when compared to washing with water. This study contributes to the recovery and appreciation of aluá as a food and cultural heritage, highlighting its functional, historical, and microbiological potential. Additionally, it presents, in a pioneering manner, a proposal for accessible and safe standardization of its production.
Keywords: Aluá
Fermentação
Probióticos
Fermentation
Probiotics
Subject CNPq: CNPQ::CIENCIAS BIOLOGICAS::MICROBIOLOGIA
Program: Programa de Pós-Graduação em Ciências (Microbiologia)
Production unit: Instituto de Microbiologia Paulo de Góes
Publisher: Universidade Federal do Rio de Janeiro
Issue Date: 14-Jul-2025
Publisher country: Brasil
Language: por
Right access: Acesso Aberto
Citation: Mattos, R. M. de. (2025). Do saber tradicional ao potencial probiótico: resgate histórico e caracterização físico-química e microbiológica do aluá de casca de abacaxi (Ananas comosus) [Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Rio de Janeiro]. Repositório Institucional Pantheon.
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