Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/11422/28434

Type: Dissertação
Title: Cidade revelada, o povo dentro do quadro : a violência simbólica e a estética da exclusão nas charges da Primeira República
Author(s)/Inventor(s): Santos, Carolina Trindade Rufino dos
Advisor: Fridman, Fania
Abstract: Esta dissertação investiga de que forma a violência simbólica e os processos de exclusão social foram articulados visualmente nas charges publicadas no Rio de Janeiro durante a Primeira República (1900–1930). Enquanto forma de humor gráfico de ampla circulação, as charges são analisadas aqui como documentos urbanos e dispositivos ideológicos, capazes de condensar e traduzir disputas sociais, raciais, morais e espaciais. A pesquisa parte do corpo como chave de leitura, entendido não apenas em sua dimensão biológica, mas como território simbólico, político e sensível, no qual se inscrevem as experiências urbanas e através do qual a cidade é também produzida e ressignificada. Por meio de uma análise iconológica, articulada à nova retórica, o estudo examina periódicos como O Malho, Careta, Fon-Fon! e Para Todos, evidenciando tanto a forma de retratar os sujeitos marginalizados, quanto sua função como registro das tensões e contradições da modernização republicana. A pesquisa concentra-se em arquétipos recorrentes, como o Zé Povo, o malandro, a mulher negra e a nova mulher, personagens que condensam disputas de classe, raça e gênero, funcionando simultaneamente como alvos de escárnio e como símbolos resistentes da identidade urbana. Nesse contexto, o “mau humor”, entendido como sátira social crítica, emerge como ferramenta de denúncia e como expressão das tensões e aspirações populares. O conceito de corpografia do urbano também é central à análise: ele permite compreender que os corpos não apenas ocupam o espaço urbano, mas o escrevem e são também escritos por ele. Mesmo quando estereotipadas ou domesticadas, essas figuras persistem como rastros da presença popular, tensionando as narrativas oficiais e abrindo caminhos para uma leitura crítica da história da cidade. Nesse sentido, as charges operam como contra-arquivos da modernidade urbana: em vez de apagarem os corpos subalternizados, expõem suas presenças insistentes e suas performances cotidianas como força constitutiva do espaço urbano.
Abstract: This dissertation investigates how symbolic violence and processes of social exclusion were visually articulated in cartoons published in Rio de Janeiro during the First Republic (1900–1930). As a widely circulated form of graphic humor, cartoons are analyzed here as both urban documents and ideological devices—capable of condensing and translating social, racial, moral, and spatial disputes. The research takes the body as a key interpretive lens, understood not only in its biological dimension but also as a symbolic, political, and affective territory where urban experiences are inscribed and through which the city is produced and re-signified. Through an iconological analysis informed by the new rhetoric, the study examines periodicals such as O Malho, Careta, Fon-Fon!, and Para Todos, highlighting both how marginalized subjects were represented and the role of these images as records of the tensions and intradictions of republican modernization. The research focuses on recurring archetypes, such as Zé Povo, the malandro, the Black woman, and the “new woman”, figures that condense class, race, and gender conflicts, functioning simultaneously as targets of mockery and as resistant symbols of urban identity. In this context, “bad humor,” understood as critical social satire, emerges as both a tool of denunciation and an expression of popular tensions and aspirations. The concept of the corpography of the urban is also central to the analysis: it reveals how bodies not only occupy urban space but also inscribe it, and are inscribed by it. Even when stereotyped or domesticated, these figures endure as traces of popular presence, challenging official narratives and opening paths to a critical reading of the city’s history. In this sense, cartoons operate as counter-archives of urban modernity: rather than erasing subalternized bodies, they expose their persistent presences and everyday performances as constitutive forces of urban space.
Keywords: Charge
Representações populares
Violência urbana
Exclusão social
República Velha, 1889-1930
Rio de Janeiro (RJ)
Brasil.
Subject CNPq: CNPQ::CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS::PLANEJAMENTO URBANO E REGIONAL
Program: Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional
Production unit: Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional
Publisher: Universidade Federal do Rio de Janeiro
Issue Date: 4-Aug-2025
Publisher country: Brasil
Language: por
Right access: Acesso Aberto
Citation: SANTOS, Carolina Trindade Rufino dos. Cidade revelada, o povo dentro do quadro: a violência simbólica e a estética da exclusão nas charges da primeira república a violência simbólica e a estética da exclusão nas charges da primeira república. 2025. 159 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Planejamento Urbano e Regional, Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2025.
Appears in Collections:Planejamento Urbano e Regional

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