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http://hdl.handle.net/11422/28507
| Type: | Trabalho de conclusão de graduação |
| Title: | A mulher habitada: literatura e resistência na história da Nicarágua |
| Author(s)/Inventor(s): | Moraes, Giulia Saldanha |
| Advisor: | Pimental, Ary |
| Abstract: | Esta monografia examina o romance A mulher habitada, de Gioconda Belli, destacando como a obra entrelaça recursos literários e o contexto sociopolítico da Nicarágua em meio ao período revolucionário. A narrativa é compreendida como um território simbólico onde memória, identidade e resistência se articulam para iluminar experiências individuais e coletivas de opressão e luta. Nesse sentido, o estudo enfatiza as categorias de subalternidade e alteridade, investigando de que modo elas se inscrevem na trajetória das personagens e na tessitura simbólica do texto. A protagonista, Lavínia, torna-se um ponto de convergência entre passado e presente ao ser habitada pelo espírito de Itzá, uma indígena cuja história tem raízes no período colonial. Esse dispositivo narrativo opera como mecanismo de reativação das camadas históricas que atravessam o imaginário nicaraguense, permitindo que antigas lutas — resistência indígena, violência colonial e exclusão de vozes femininas — ressurjam como forças que continuam a moldar a subjetividade contemporânea. Ao aproximar temporalidades distintas, o romance expõe a persistência das marcas coloniais e a vitalidade das vozes subalternas, acionando-as como memórias insurgentes que recusam o apagamento. Simultaneamente, A mulher habitada é analisado como gesto literário de contestação que desestabiliza modelos tradicionais de representação feminina e confronta estruturas de poder ainda atuantes no tecido social. A obra mobiliza a alteridade — entre mulher e espírito, entre indivíduo e comunidade, entre passado e revolução — como estratégia estética para revelar a pluralidade e a complexidade das identidades femininas em contextos de transformação política. A fusão entre Lavínia e Itzá converte corpo e subjetividade em espaços de insurgência simbólica, nos quais se articulam desejos de autonomia, consciência política e pertencimento histórico. Assim, a narrativa não apenas recupera vozes marginalizadas, mas também reescreve a participação das mulheres na luta revolucionária, propondo uma reconfiguração crítica da memória coletiva. Conclui-se, portanto, que o romance de Belli opera como instrumento literário de reconstrução histórica, reafirmando o potencial da literatura para iluminar processos de resistência, recontar histórias silenciadas e produzir novas leituras sobre identidade, gênero e transformação social. |
| Keywords: | Literatura nicaraguense Alteridade |
| Subject CNPq: | CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS::OUTRAS LITERATURAS VERNACULAS |
| Production unit: | Faculdade de Letras |
| Publisher: | Universidade Federal do Rio de Janeiro |
| Issue Date: | 21-Dec-2025 |
| Publisher country: | Brasil |
| Language: | por |
| Right access: | Acesso Aberto |
| Appears in Collections: | Letras - Literaturas |
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