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Type: Tese
Title: Dançar o djine :composições e movimentos entre mulheres e espíritos na Ilha de Moçambique
Author(s)/Inventor(s): Assunção, Helena Santos
Advisor: Goldman, Marcio
Abstract: Esta tese é um estudo etnográfico das relações entre mulheres makhuwa e naharás da região norte de Moçambique (Nampula e Ilha de Moçambique) e espíritos conhecidos como madjine. Inicio o estudo com os lugares habitados por esses seres (o mar, as ruínas, a montanha) para descrever as relações ecológicas e os modos de convivência entre pessoas e espíritos, paisagens nas quais se dão estes encontros. A presença dos madjine nessa região e a maneira como entram em composição com as pessoas - em uma relação entendida como um casamento - faz refletir sobre as combinações entre a matrilinearidade makhuwa e o Islã enquanto cosmologias e práticas cotidianas. Nesse contexto, ser casada por um djine é um fenômeno entendido como uma doença, que afeta as mulheres e suas relações afetivoamorosas, gerando um estado de estagnação, e dançar o djine é um dos modos de tratar esse desequilíbrio nos rituais conhecidos como batuque de madjine (ekoma ya djine). Esses rituais, por sua vez, se conectam a outros batuques que conformam o ritmo cotidiano da Ilha de Moçambique, especialmente os ritos de iniciação femininos. Ser dançada (ser iniciada coletivamente na vida adulta) é um movimento necessário para tornar-se uma mulher que pode ser casada, que sabe tratar com cuidado e respeito os outros. Nas relações de alteridade entre pessoas, mas também nas alteridades mais radicais que marcam os vínculos entre pessoas e espíritos, equilibrar/estabilizar as relações passa por evitar a estagnação, recriando constantemente movimentos que animam.
Abstract: This thesis presents an ethnographic study of the relationship between Makhuwa and Nahara women from the northern region of Mozambique (Nampula and Ilha de Moçambique) and madjine spirits. Starting with the places inhabited by these beings (the sea, the ruins, the mountains), the study describes the ecological relationships and ways of coexistence between people and spirits, as well as the landscapes in which their encounters take place. The presence of the madjine in this region and how they come into contact with people - in a relationship understood as a marriage - makes us reflect on the combinations between Makhuwa matrilineality and Islam as cosmologies and everyday practices. In this context, being married by a djine is a phenomenon understood as a disease that affects women and their love relationships, generating a state of stagnation. Dancing the djine is one of the ways of treating this imbalance in the rituals known as batuque de madjine (ekoma ya djine). These rituals, in turn, are connected to other batuques that make up Ilha de Moçambique's daily rhythm, especially the female initiation rites. Being danced (ser dançada, being collectively initiated into adulthood) is a necessary movement to become a woman who can be married and knows how to treat others with care and respect. In relationships of otherness between people, but also in the more radical alterities that mark the bonds between people and spirits, balancing/stabilizing relationships involves avoiding stagnation, constantly recreating movements that animate (anima).
Keywords: Macua (Povo africano)
Moçambique (Dança)
Usos e costumes
Ritos e cerimônias
Etnologia
Antropologia Social
Makua (African people)
Mozambique (dance)
Manners and customs
Rites and ceremonies
Ethnology
Social anthropology
Subject CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::ANTROPOLOGIA
Program: Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social
Production unit: Museu Nacional
Publisher: Universidade Federal do Rio de Janeiro
Issue Date: 25-Feb-2025
Publisher country: Brasil
Language: por
Right access: Acesso Aberto
Citation: ASSUNÇÃO, Helena Santos. Dançar o djine: composições e movimentos entre mulheres e espíritos na Ilha de Moçambique. 2025. 430 f. Tese (Doutorado) - Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2025.
Appears in Collections:Antropologia Social

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