Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/11422/28899

Type: Tese
Title: O “manejo” da “desinstitucionalização”: da construção de um problema público à análise situacional das práticas de “desinstitucionalização” das profissionais nos serviços residenciais terapêuticos
Author(s)/Inventor(s): Ferreira, Monique Torres
Advisor: Vargas, Joana Domingues
Abstract: A proposta desta pesquisa consistiu em analisar as consequências práticas do processo de “desinstitucionalização” psiquiátrica em um serviço público de saúde mental: Os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs). A construção desses serviços é resultado da transformação das internações psiquiátricas em um problema público, mobilizando trabalhadores da saúde mental, familiares e organização da sociedade civil em espaços de deliberação de novas propostas de tratamento psiquiátrico. A categoria “desinstitucionalização” aparece nesse contexto como uma categoria nativa, própria do campo da saúde mental. Seus sentidos são produzidos por esses atores sociais em Encontros Nacionais organizados onde surgem propostas, mudanças legislativas e a formulação de novas políticas públicas de assistência psiquiátrica na comunidade, substituindo o modelo de tratamento baseado na internação compulsória. Dentre os serviços de assistência criados nesse contexto, os Serviços Residenciais Terapêuticos surgem como um modelo de assistência a pessoas egressas de internações psiquiátricas de longa permanência, período superior a dois anos de internação, que não possuem vínculos familiares e de moradia. Para analisar as consequências da “desinstitucionalização” nesse serviço em específico, realizo uma pesquisa de campo acompanhando as reuniões de equipe de dois SRTs localizados na Zona Norte do Rio de Janeiro. Essas reuniões são momentos em que as profissionais – cuidadoras, coordenadora, técnicas de enfermagem e acompanhante terapêutica – debatem as interações com os moradores dos SRTs e produzem teorias e práticas de “manejo”, categoria utilizada para definir um conjunto de ações e técnicas voltadas para a construção e manutenção da “desinstitucionalização” dos moradores.A análise proposta é resultado de cinco meses de trabalho de campo observando as reuniões de equipe semanais e um período de dois anos de contato com coordenadoras e acompanhantes terapêuticas do serviço de forma remota em razão da pandemia de Covid-19, em que realizei entrevistas semiestruturadas com ambas via aplicativo de reuniões online. Outra parte do trabalho foi realizada no período pós-pandemia, em que retorno a campo para entrevistar as cuidadoras e técnicas enfermagem. A hipótese levantada é de que a “desinstitucionalização” não é uma categoria cujos sentidos e práticas estão dados e garantidos, mas construída cotidianamente pelas profissionais nas interações com os moradores e seus “manejos” com a vida, com os vínculos, os afetos, o corpo, as emoções, junto às “crises psiquiátricas” e outras modalidades de “crise” como a pandemia e agenciamentos junto aos recursos materiais, humanos e emocionais de que dispõem.
Abstract: The aim of this research was to analyze the practical consequences of the psychiatric "deinstitutionalization" process in a public mental health service: Therapeutic Residential Services (TRS). The creation of these services results from the transformation of psychiatric hospitalization into a public issue, mobilizing mental health workers, family members, and civil society organizations in spaces for deliberating new psychiatric treatment proposals. The category "deinstitutionalization" appears in this context as a native category, specific to the field of mental health. Its meanings are constructed by these social actors in National Meetings, where proposals, legislative changes, and the development of new public policies for psychiatric care in the community emerge, replacing the treatment model based on compulsory hospitalization. Among the assistance services created in this context, the Therapeutic Residential Services emerge as a model of care for individuals discharged from long-term psychiatric hospitalizations, defined as a period exceeding two years of hospitalization, who have no family or housing ties. To analyze the consequences of "deinstitutionalization" in this specific service, I conducted a field study by attending the team meetings of two TRSs located in the Northern Zone of Rio de Janeiro. These meetings are moments in which the professionals – caregivers, coordinators, nursing technicians, and therapeutic companions – discuss their interactions with the residents of the TRSs and develop theories and practices of "management," a category used to define a set of actions and techniques aimed at the "deinstitutionalization" of the residents.The proposed analysis results from five months of fieldwork observing the weekly team meetings of professionals and two years of remote contact with coordinators and therapeutic companions of the service due to the COVID-19 pandemic. Throughout this period, I conducted semistructured interviews with both groups via an online meeting application. Another part of the work was conducted in the post-pandemic period when I returned to the field to interview caregivers and nursing technicians. The hypothesis raised is that "deinstitutionalization" is not a category with fixed and guaranteed meanings and practices, but one that is built daily by professionals through interactions with the residents and their "management" of life, relationships, emotions, the body, and the psyche, alongside psychiatric "crises" and other types of "crises" such as the pandemic, and their agency with the material, human, and emotional resources available.
Keywords: Serviços de saúde mental
Rio de Janeiro (RJ)
Políticas públicas
Subject CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::SOCIOLOGIA
Program: Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia
Production unit: Instituto de Filosofia e Ciências Sociais
Publisher: Universidade Federal do Rio de Janeiro
Issue Date: 10-Apr-2025
Publisher country: Brasil
Language: por
Right access: Acesso Aberto
Citation: Ferreira, Monique Torres. ; O “manejo” da “desinstitucionalização” : da construção de um problema público à análise situacional das práticas de “desinstitucionalização” das profissionais nos serviços residenciais terapêuticos / Rio de Janeiro : UFRJ, 2025. Tese (doutorado) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia.
Appears in Collections:Sociologia e Antropologia

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