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http://hdl.handle.net/11422/28902
| Type: | Tese |
| Title: | "Pessoas de linha": etnografia da experiência anormal |
| Author(s)/Inventor(s): | Franco, Túlio Maia |
| Advisor: | Bonet, Octavio Andres Ramon |
| Abstract: | Esta tese propõe a ideia de uma antropologia anormal. A partir de uma extensa revisão teórica sobre como a antropologia cultural se aproximou da “anormalidade” e em diálogo com as contribuições da Teoria Crip, das antropologias da saúde mental e deficiências, e da cibernética batesoniana, argumento pela necessidade de uma transição de uma “antropologia sobre o anormal” para uma “antropologia anormal”. Nesse movimento especulativo, a anormalidade deixa de ser um objeto do conhecimento antropológico e passa a ser compreendida como um evento com o qual o(a) antropólogo(a) se engaja. Através dessas lentes, realizo uma etnografia da experiência de pessoas internadas em uma enfermaria psiquiátrica masculina. Acompanhar “pacientes agudos” em suas práticas de estranhamento da realidade revela o que a experiência anormal pode conter de destruição e criação; a crise psiquiátrica passa a ser lida a partir de seu potencial de crítica social. “Estranhar” deixa de ser um privilégio antropológico e passa a ser entendido como uma prática difusa pela qual essas pessoas desnaturalizam o real. Atento aos discursos e práticas com que os pacientes se engajavam dentro e fora das consultas médicas, narro as tensões entre cuidado e controle no cotidiano hospitalar. Por um lado, os internos sofrem restrições disciplinares típicas do enclausuramento institucional. Por outro, promovem estratégias criativas na busca por habitabilidade durante sua estadia. Descrevo alianças interespecíficas entre pacientes e os pequenos animais que habitavam o pátio da enfermaria. Discuto como os internos negociam entre si e com o aparelho psiquiátrico suas performances de gênero. Mostro como essas pessoas subvertem a hierarquia entre psiquiatras e pacientes por meio da mobilização de uma “economia afetiva da desconfiança” e apresento como elas se apropriam do tratamento psiquiátrico, seja por meio de sua espiritualização, seja pelo contrabalanceamento dos “efeitos colaterais” dos psicotrópicos com o uso de cigarros e café. Por fim, compreendo o tratamento psiquiátrico como um processo cismogenético, apoiado sócio-tecnicamente no uso de psicofármacos para a modulação intensiva dos pacientes, tendo como objetivo atingir o “ponto de alta” dos internos. Ao longo da tese, a ideia de “intensidade” se revela uma categoria analítica central para se pensar a experiência das pessoas em situação de internação psiquiátrica. |
| Abstract: | This thesis advocates for an abnormal anthropology. Based on an extensive theoretical review of how cultural anthropology has approached “abnormality” and in dialogue with the contributions of Crip Theory, the anthropologies of mental health and disability, as well as Batesonian cybernetics, I argue for a shift from an “anthropology of the abnormal” to an “abnormal anthropology”. In this speculative move, abnormality ceases to be an object of anthropological knowledge and becomes understood as an event with which the anthropologist engages. Through this lens, I conduct an ethnography of the experiences of individuals hospitalized in a male psychiatric ward. Following “acute patients” in their practices of estranging reality reveals what the abnormal experience may contain of both destruction and creation; the psychiatric crisis is read in terms of its potential for social critique. “Estrangement” ceases to be an anthropological privilege and is instead understood as a diffuse practice through which these individuals denaturalize the real. Focusing on the discourses and practices in which patients engage both inside and outside medical consultations, I narrate the tensions between care and control in the hospital’s daily life. On one hand, the patients endure disciplinary restrictions typical of institutional confinement. On the other, they promote creative strategies in their search for habitability during their stay. I describe interspecies alliances between patients and the small animals that inhabit the ward’s courtyard. I discuss how patients negotiate their gender performances both with each other and with the psychiatric apparatus. I show how they subvert the hierarchy between psychiatrists and patients by mobilizing an “affective economy of distrust” and present how they appropriate psychiatric treatment, whether through spiritualization or by counterbalancing the "side effects" of psychotropic medications with the use of cigarettes and coffee. Finally, I understand psychiatric treatment as a cismogenetic process, sociotechnically supported by the intensive modulation of patients through psychotropic drugs, with the goal of reaching the “discharge point.” Throughout the thesis, the idea of “intensity” emerges as a central analytical category for understanding the experiences of individuals in psychiatric hospitalization. |
| Keywords: | Antropologia cultural Doenças mentais |
| Subject CNPq: | CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::ANTROPOLOGIA |
| Program: | Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia |
| Production unit: | Instituto de Filosofia e Ciências Sociais |
| Publisher: | Universidade Federal do Rio de Janeiro |
| Issue Date: | 5-Feb-2025 |
| Publisher country: | Brasil |
| Language: | por |
| Right access: | Acesso Aberto |
| Citation: | Franco, Túlio Maia. "Pessoas de linha" : etnografia da experiência anormal / Rio de Janeiro : UFRJ, 2025. Tese (doutorado) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia. |
| Appears in Collections: | Sociologia e Antropologia |
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