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http://hdl.handle.net/11422/29523
| Type: | Trabalho de conclusão de especialização |
| Title: | Índice de perfusão periférica como ferramenta de detecção de choque oculto em pacientes críticos: um estudo observacional prospectivo |
| Author(s)/Inventor(s): | Junto, Fernanda Fernandes |
| Advisor: | Salgado, Diamantino Ribeiro |
| Abstract: | O estado de choque é uma síndrome clínica crítica decorrente do desequilíbrio entre a oferta de oxigênio (DO2) e a demanda metabólica tecidual (VO2), resultando em hipóxia tecidual e disfunção orgânica. Alterações na macrohemodinâmica, como taquicardia (FC > 100 bpm) e hipotensão (PAM < 65 mmHg), orientam a ressuscitação inicial. No entanto, frequentemente ocorre incoerência hemodinâmica, caracterizada pela dissociação entre a macro e a microcirculação. A persistência de disfunção tecidual mesmo com macro hemodinâmica compensada caracteriza o choque oculto. Marcadores laboratoriais de hipoperfusão tecidual, como lactato (> 2 mmol/L) e saturação venosa central de oxigênio (SVO2 < 65%), são considerados padrão ouro para o diagnóstico. A avaliação da perfusão periférica, que reflete a microcirculação, é essencial para suspeitar e detectar essa incoerência hemodinâmica e, consequentemente, o choque oculto. Tradicionalmente, utilizam-se variáveis clínicas como o tempo de enchimento capilar (TEC) e o mottling score (MS), que, apesar de acessíveis, apresentam avaliação intermitente e subjetiva. Em contraste, o índice de perfusão periférica (IP), obtido continuamente pelo oxímetro de pulso por meio da razão entre as porções pulsátil e não pulsátil do sinal pletismográfico, surge como ferramenta promissora para monitoramento objetivo e em tempo real. Este estudo avaliou o desempenho do índice de perfusão periférica em comparação com outras variáveis clínicas perfusionais na detecção de choque oculto. Realizou-se estudo observacional prospectivo no CTI geral do HUCFF/UFRJ. Foram incluídos pacientes adultos admitidos por causas clínicas ou cirúrgicas, com quadro hemodinâmico compensado. Coletados dados demográficos, variáveis macro e micro hemodinâmicas e gasometrias venosa central e arterial pareadas. O diagnóstico de choque oculto foi definido pela presença de SVO2 < 65% e/ou lactato arterial > 2 mmol/L em amostras gasométricas, associados à hemodinâmica compensada (PAM > 65 mmHg). A capacidade de detecção de choque foi determinada pela AUC-ROC para as variáveis perfusionais: tempo de enchimento capilar (TEC), mottling score (MS) e índice de perfusão periférica (PI). Realizaram-se 50 medidas, das quais 41 foram analisadas. As medidas envolveram 20 pacientes, sendo 11 do sexo feminino, com média de idade de 59 anos (52-69), SOFA 5,66 (2-9), SAPS3 65,29 (57-72), tempo até a internação em CTI de 6,59 dias (6-9). Noradrenalina estava presente em 17 medidas, com médias de PAM de 86 (74-96) mmHg e FC de 91 (85-99) bpm. O choque oculto foi detectado em 22 (53%) aferições e foi associado a menor PI (1,48 (0,12-2,84) vs 2,56 (0,78-4,34), p=0,03), maior TEC (3,5 (1,59-5,59) s vs 2,42 (0,85-3,99) s, p=0,04) e maior MS (p>0,05). A AUC para detecção de choque oculto foi maior para PI (0,70) em comparação com as demais variáveis clínicas de perfusão (TEC 0,69 e MS 0,58). Valores de PI ≤ 1,63 apresentaram sensibilidade de 70%, especificidade de 79% e acurácia de 74%. Quando comparado com variáveis clínicas tradicionais de perfusão, como tempo de enchimento capilar e mottling score, o índice de perfusão periférica demonstrou desempenho ligeiramente superior na detecção de choque oculto em pacientes críticos da amostra analisada. |
| Abstract: | The state of shock is a critical clinical syndrome resulting from the imbalance between oxygen delivery (DO2) and tissue metabolic demand (VO2), leading to tissue hypoxia and organ dysfunction. Changes in macro hemodynamics, such as tachycardia (HR > 100 bpm) and hypotension (MAP less than 65 mmHg), guide initial resuscitation. However, hemodynamic incoherence frequently occurs, characterized by the dissociation between macro and microcirculation. The persistence of tissue dysfunction even with compensated macro-hemodynamics characterizes occult shock. Laboratory markers of tissue hypoperfusion, such as lactate (greater than 2mmol/L) and central venous oxygen saturation (SVO2 less than 65%), are the gold standard for diagnosis. The assessment of peripheral perfusion, which reflects microcirculation, is essential for suspecting and detecting this hemodynamic incoherence. Traditionally, clinical variables such as capillary refill time (CRT) and mottling score (MS) have been used, which, although accessible, are intermittent and subjective. In contrast, the perfusion index (PI), obtained continuously by pulse oximetry through the ratio between the pulsatile and non-pulsatile portions of the plethysmographic signal, emerges as a promising tool for objective, real-time monitoring. The performance of the perfusion index was compared to other clinical perfusion variables in detecting occult shock. A prospective observational study was conducted in the general ICU of HUCFF/UFRJ. Adult patients admitted for clinical or surgical causes, with a compensated hemodynamic status, were included. Demographic data, macro and micro-hemodynamic variables, and paired central venous and arterial blood gas analyses were collected. The diagnosis of occult shock was defined by the presence of SVO2 less than 65 percent and/or arterial lactate greater than two mmol/L in blood gas samples, associated with compensated hemodynamics (MAP greater than 65 mmHg and HR less than 100 bpm). The AUC-ROC determined the shock detection capacity for the perfusion variables: capillary refill time (CRT), mottling score (MS), and perfusion index (PI). Fifty measurements were performed, of which 9 were excluded, and 41 were analyzed. Measurements involved 20 patients, 11 females, with a mean age of 59 years (52-69), SOFA score of 5.66 (2-9), SAPS3 score of 65.29 (57-72), and a time to ICU admission of 6.59 days (6-9). Norepinephrine was present in 17 measurements, with a mean MAP of 86 (74-96) mmHg and HR of 91 (85-99) bpm. Occult shock was detected in 22 (53 percent) measurements, associated with lower PI (median 1.48, range 0.12 to 2.84) versus (median 2.56, range 0.78 to 4.34), with p equals 0.03, and higher CRT (median 3.5 seconds, range 1.59 to 5.59) versus (median 2.42 seconds, range 0.85 to 3.99), with p equals 0.04, and higher MS (p greater than 0.05). The AUC for occult shock detection was higher for PI (0.70) compared to the other clinical perfusion variables (CRT 0.69, and MS 0.58). PI values less than or equal to 1.63 showed a sensitivity of 70%, specificity of 79%, and accuracy of 74%. Compared to traditional clinical perfusion variables, such as capillary refill time and mottling score, the perfusion index demonstrated slightly superior performance in the detection of occult shock in critically ill patients in the analyzed sample. |
| Keywords: | Hemodinâmica Choque Perfusão Microcirculação Índice de Perfusão Unidades de terapia intensiva Hemodynamics Shock Perfusion Microcirculation Perfusion Index Intensive care units |
| Subject CNPq: | CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::MEDICINA |
| Program: | Programa de Residência Médica |
| Production unit: | Hospital Universitário Clementino Fraga Filho |
| Publisher: | Universidade Federal do Rio de Janeiro |
| Issue Date: | 2025 |
| Publisher country: | Brasil |
| Language: | por |
| Right access: | Acesso Aberto |
| Citation: | JUNTO, Fernanda Fernandes. O índice de perfusão periférica como ferramenta de detecção de choque oculto em pacientes críticos: um estudo observacional prospectivo. 48 p. 2025. Trabalho de conclusão de curso (Residência Médica em Medicina Intensiva) – Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2025. |
| Appears in Collections: | Medicina Intensiva |
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