Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/11422/29748

Type: Tese
Title: Ela tá me botando na justiça mais por raiva porque ela nem precisa: (des)construindo estereótipos de gênero na mediação judicial sob a ótica da fala em interação
Author(s)/Inventor(s): Ferreira, Juliana Lopes
Advisor: Gago, Paulo Cortes
Abstract: Este trabalho investiga como categorias de gênero são mobilizadas em interações de mediação judicial a partir da perspectiva da Análise de Categoria de Pertenças e Análise da Conversa Etnometodológica. Trata-se de um estudo empírico que visa compreender, de forma situada, as práticas que constroem e reforçam atribuições de gênero em conflitos familiares judicializados. Para isso, organizamos a pesquisa em torno de seis casos de mediação, com registros audiovisual e em áudio transcritos segundo convenção Jefferson. Complementarmente, utilizamos entrevistas com mediadores judiciais, a fim de captar suas percepções sobre o papel do gênero e o impacto em sessões de mediação familiar. Nosso corpus analítico inclui mediações em que são mobilizadas categorizações do estereótipo da mulher vingativa e raivosa bem como do pai ausente ou provedor. Esses enquadramentos, muitas vezes implícitos, foram evidenciados por meio de escolhas lexicais, formas de pergunta e sequências de fala que revelam mobilizações de conhecimento de senso comum e uma orientação institucional baseada em modelos patriarcais. Os dados indicam que os mediadores, mesmo com neutralidade institucional presumida, adotam práticas que colaboram na construção e na desconstrução dos estereótipos de gênero, na medida em que reposicionam o foco das mediações nas questões de direito, e não em condutas moralizantes da mulher bem como contribuem para manter visões tradicionais de parentalidade, em que a mãe é a cuidadora primária e o pai ocupa um papel secundário. A análise mostra ainda que as categorizações que mobilizam estereótipos de gênero orientam o curso da mediação e podem influenciar decisões práticas, como acordos de guarda e alimentos, construindo o direito a partir de narrativas "leigas". Concluímos que as sessões de mediação, longe de serem espaços neutros, funcionam como arenas de produção e reprodução de normas sociais e jurídicas. Ao colocar em evidência a linguagem em uso, esta pesquisa contribui para o debate sobre quidade de gênero e práticas em mediação de conflitos em campo interdisciplinar linguístico-jurídico.
Abstract: This study investigates how gender categories are mobilized in judicial mediation interactions, drawing on the perspectives of Membership Categorization Analysis and Ethnomethodological Conversation Analysis. It is an empirical study aimed at understanding, in a situated manner, the practices that construct and reinforce gender attributions in judicialized family conflicts. To this end, we structured the research around six mediation cases, using audiovisual and audio recordings transcribed according to Jefferson’s transcription conventions. Additionally, we conducted interviews with judicial mediators to capture their perceptions regarding the role of gender and its impact on family mediation sessions. Our analytical corpus includes mediations in which stereotypical categorizations such as the “vengeful and angry woman” and the “absent or provider father” are mobilized. These framings, often implicit, were made visible through lexical choices, question formats, and sequential organization of turns that reveal the mobilization of commonsense knowledge and an institutional orientation rooted in patriarchal models. The data suggest that mediators, even under the presumption of institutional neutrality, adopt practices that both contribute to the deconstruction of gender stereotypes—by redirecting the focus of mediation toward legal issues rather than moralizing evaluations of women—and reinforce traditional views of parenting, in which the mother is seen as the primary caregiver and the father plays a secondary role. Our analysis also shows that categorizations evoking gender stereotypes guide the course of mediation and can influence practical decisions such as custody and child support agreements, shaping the law through “lay” narratives. We conclude that mediation sessions, far from being neutral spaces, operate as arenas for the production and reproduction of social and legal norms. By highlighting language-in-use, this research contributes to discussions on gender equity and conflict mediation practices within the interdisciplinary legal-linguistic field.
Este trabajo investiga cómo se movilizan categorías de género en interacciones de mediación judicial, desde la perspectiva del Análisis de Categorías de Pertenencia y el Análisis de la Conversación Etnometodológico. Se trata de un estudio empírico que busca comprender, de manera situada, las prácticas que construyen y refuerzan atribuciones de género en conflictos familiares judicializados. Para ello, organizamos la investigación en torno a seis casos de mediación, con registros audiovisuales y de audio transcritos según la convención de Jefferson. Complementariamente, realizamos entrevistas con mediadores judiciales, con el fin de captar sus percepciones sobre el papel del género y su impacto en las sesiones de mediación familiar. Nuestro corpus analítico incluye mediaciones en las que estan movilizadas categorizaciones vinculadas al estereotipo de la mujer vengativa y colérica, así como del padre ausente o meramente proveedor. Estos encuadres, muchas veces implícitos, se evidencian a través de elecciones léxicas, formas de preguntas y secuencias conversacionales que revelan la movilización de saberes del sentido común y una orientación institucional basada en modelos patriarcales. Los datos indican que los mediadores, incluso bajo la presunción de neutralidad institucional, adoptan prácticas que contribuyen tanto a la deconstrucción de estereotipos de género —al reposicionar el foco de las mediaciones en las cuestiones jurídicas y no en juicios moralizantes sobre las mujeres— como al refuerzo de visiones tradicionales de la parentalidad, en las que la madre es la cuidadora principal y el padre desempeña un papel secundario. El análisis también muestra que las categorizaciones que movilizan estereotipos de género orientan el curso de la mediación y pueden influir en decisiones prácticas, como los acuerdos de custodia y manutención, construyendo el derecho a partir de narrativas “profanas”. Concluimos que las sesiones de mediación, lejos de ser espacios neutros, funcionan como arenas de producción y reproducción de normas sociales y jurídicas. Al evidenciar el lenguaje en uso, esta investigación contribuye al debate sobre la equidad de género y las prácticas de mediación de conflictos en el campo interdisciplinario lingüístico-jurídico.
Keywords: Linguística aplicada
Análise da Conversa
Estereótipos de gênero
Conflitos Familiares
Mediação Familiar
Subject CNPq: CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LINGUISTICA::LINGUISTICA APLICADA
Program: Programa Interdisciplinar de Pós-Graduação em Linguística Aplicada
Production unit: Faculdade de Letras
Publisher: Universidade Federal do Rio de Janeiro
Issue Date: 28-Aug-2025
Publisher country: Brasil
Language: por
Right access: Acesso Aberto
Appears in Collections:Interdisciplinar em Linguística Aplicada

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