Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/11422/29794

Type: Dissertação
Title: Memórias, circulação de plantas e africanos escravizados na obra Historia Naturalis Brasiliae (1648)
Author(s)/Inventor(s): Jerônimo, Jéssica de Andrade
Advisor: Medeiros, Maria Franco Trindade
Co-advisor: Brito, Mariana Reis de
Abstract: O tráfico negreiro durante a colonização brasileira promoveu a migração forçada de milhares de africanos para serem escravizados, o que possivelmente levou a adaptações socioambientais necessárias para a sobrevivência desta população, assim como à circulação de saberes e plantas durante este período. A Historia Naturalis Brasiliae, obra de Pies e Marggraf publicada em 1648, durante o período de colonização Neerlandesa no nordeste brasileiro, possui descrições que permitem acessar as “memórias subterrâneas” de africanos escravizados no conhecimento da flora, assim como a “circulação” de espécies e saberes associados. Objetivou-se revelar as “memórias subterrâneas” sobre plantas e a “circulação” entre diferentes agentes e espaços na construção do conhecimento científico dos naturalistas Pies e Marggraf associados aos africanos escravizados no século XVII. Para obtenção dos dados fez-se a leitura da obra traduzida de 1942 e 1948, e para a conferência de informações utilizou-se a obra original de 1648. Categorizou-se as “memórias subterrâneas” vinculadas às plantas em termos de associação direta e indireta aos africanos escravizados. Na identificação de pistas taxonômicas utilizou-se como recurso auxiliar Pickel (2008) e Alcantara-Rodriguez et al. (2019). As tipologias de uso descritas para as plantas foram organizadas em quatro categorias de uso (alimentícia, construção, medicinal e tecnológica). Calculou-se a frequência de citações para parte da planta usada e preparo para consumo da categoria de uso com maior importância. Termos associados diretamente aos africanos escravizados foram mais frequentes, totalizando 22 nomes populares associados a cinco termos, dos quais o mais expressivo, “Negros” (n= 11; 46%). Foram identificadas 24 pistas taxonômicas e 37 nomes populares relacionados aos africanos escravizados. A categoria de uso alimentícia foi a mais relevante (n=13 citações; 68,4%). Evidenciando a circulação de plantas entre África e Brasil, nas descrições de Pies, Manihot esculenta Crantz. foi a mais versátil nesta categoria (n=4 usos); e nas descrições de Marggraf, Dioscorea alata L., foi a única com mais de um uso alimentício (n=2). A parte da planta com maior indicativo de consumo foi “raiz” (n=5; 38,5%), e o preparo “cozido” para consumo (n=3; 23,1%). Condições de insegurança alimentar e saúde da população escravizada seriam indicativos desta circulação de saberes relacionados a espécies vegetais em seus processos de adaptação para sobrevivência em novas condições socioambientais. Compreende-se que o acesso à memória quanto à relação de invisibilizados e oprimidos com espécies vegetais aprofunde o conhecimento científico sobre a biodiversidade local.
Abstract: The slave trade during Brazilian colonization promoted the forced migration of thousands of Africans to be enslaved, which likely led to necessary socio-environmental adaptations for the survival of this population, as well as the circulation of knowledge and plants during this period. The Historia Naturalis Brasiliae, a work by Pies and Marggraf published in 1648, during the period of Dutch colonization in northeastern Brazil, contains descriptions that allow access to the “subterranean memories” of enslaved Africans regarding knowledge of the flora, as well as the “circulation” of species and associated knowledge. The objective was to reveal the “subterranean memories” about plants and their “circulation” among different agents and spaces in the construction of the scientific knowledge of the naturalists Pies and Marggraf, in association with enslaved Africans in the 17th century. To obtain the data a reading of the translated versions from 1942 and 1948 was conducted, and to verify the information, the original 1648 edition was consulted. The “subterranean memories” linked to plants were categorized in terms of direct and indirect association with enslaved Africans. For the identification of taxonomic clues, Pickel (2008) and Alcantara-Rodriguez et al. (2019) were used as auxiliary resources. The usage typologies described for the plants were organized into four categories: food, construction, medicinal, and technological. The frequency of citations was calculated for the plant part used and the method of preparation for consumption within the most significant usage category. Terms directly associated with enslaved Africans were more frequent, totaling 22 popular names associated with five terms, the most expressive of which was “Negros” (n=11; 46%). A total of 24 taxonomic clues and 37 popular names related to enslaved Africans were identified. The food use category was the most relevant (n= 13 citations; 68.4%). Highlighting the circulation of plants between Africa and Brazil, in Pies’ descriptions, Manihot esculenta Crantz. was the most versatile in this category (n=4 uses); and in Marggraf’s descriptions, Dioscorea alata L. was the only one with more than one food use (n=2). The part of the plant with the highest indication of consumption was the “root” (n=5; 38.5%), and the “cooked” preparation for consumption (n=3; 23.1%). Conditions of food and health insecurity among the enslaved population would be indicative of this circulation of knowledge related to plant species in their adaptation processes for survival under new socio-environmental conditions. It is understood that access to memory regarding the relationship of the invisible and oppressed with plant species deepens scientific knowledge about local biodiversity.
Keywords: Diáspora africana
Diversidade das plantas
Etnobotânica
Multiculturalismo
História natural
Brasil
African diaspora
Plants diversity
Ethnobotany
Multiculturalism
Natural history
Brazil
Subject CNPq: CNPQ::CIENCIAS BIOLOGICAS::BOTANICA
Program: Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas (Botânica)
Production unit: Museu Nacional
Publisher: Universidade Federal do Rio de Janeiro
Issue Date: 1-Aug-2025
Publisher country: Brasil
Language: por
Right access: Acesso Aberto
Citation: JERÔNIMO, Jéssica de Andrade. Memórias, Circulação de Plantas e Africanos Escravizados na obra Historia Naturalis Brasiliae (1648). Rio de Janeiro, 2025. Dissertação (Mestrado em Ciências Biológicas (Botânica)) – Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas (Botânica), Museu Nacional/ Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2025.
Appears in Collections:Botânica

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