Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/11422/29032

Type: Tese
Title: Escrevivências e Quarto de despejo: quem irá contar essa história?
Author(s)/Inventor(s): Raia, Ana Lúcia da Silva
Advisor: Moraes, Wallace dos Santos de
Abstract: Apresento a tese “Escrevivências e Quarto de Despejo: quem irá contar essa história?” baseada nas obras de Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo. Escritos que se justificam por ser mais um instrumento para demonstrar que um texto que respeite o rigor acadêmico pode ser atravessado por Escrevivências. Objetivo analisar a escrita das supracitadas autoras, identificando as múltiplas violências a que os corpos negros são submetidos, apoiados na perspectiva metodológica da própria Escrevivência, respaldada no estudo descritivo da pesquisa qualitativa proposta por Minayo. As hipóteses que cogito comprovar partem do pressuposto de que os escritos de Carolina e Conceição são apresentados como um processo de cura sendo impregnados por conceitos das teorias libertária e decolonial, tais como: ajuda mútua, horizontalidade, autogoverno, liberdade, respeito ao outro, colonialidade do ser, do saber e do poder, racismo institucional, racismo literário, Necrofilia Colonialista Outrocida e historicídio. O referencial teórico está baseado em teóricos: a) decoloniais, como Aníbal Quijano, Grosfoguel, Maldonado Torres, Enrique Dussel e Maria Lugones; b) Teóricas do feminismo negro, como Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento e as estadunidenses, bell hooks, Patrícia Hill Collins e Angela Davis; c) Teóricos libertários, como Kom’boa, Kropotkin e Moraes. Utilizaremos Quarto de Despejo como um conceito, que é atravessado por lugares e corpos descartáveis, sujos, que servem como depósitos dos restos que não são utilizados pela sociedade, um quarto de despejo que ultrapassa a esfera física e perpassa pelo despejo que os corpos negros observam nos olhares, gestos, falas racistas, enfim, que está explícito e implícito em seu cotidiano. Utilizarei a cura como um conceito, baseado na ideia do amor como cura, de bell hooks. Cura como sentido de volta ao passado, de restabelecimento, de superação, de celebração dos/as nossos/as mais velhos/as, sendo apresentado de forma implícita e explícita no bojo do texto. Uma cura que transcende o eu e perpassa pela ancestralidade, pois, ao curar-se, todos os ancestrais são curados. Por fim, a título de conclusão, no bojo das escrevivências trazidas por Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo, ressalto a escrita como um processo de cura.
Abstract: I present the thesis “Escrevivências and Quarto de Despejo: quem vai contar essa história?” based on the works of Carolina Maria de Jesus and Conceição Evaristo. These writings are justified by being yet another instrument to demonstrate that a text that respects academic rigor can be permeated by Escrevivências. The objective is to analyze the writings of the aforementioned authors, identifying the multiple forms of violence to which black bodies are subjected, supported by the methodological perspective of Escrevivência itself, supported by the descriptive study of the qualitative research proposed by Minayo. The hypotheses that I intend to prove are based on the assumption that the writings of Carolina and Conceição are presented as a healing process, being impregnated by concepts from libertarian and decolonial theories, such as: mutual aid, horizontality, self-government, freedom, respect for the other, coloniality of being, knowledge and power, institutional racism, literary racism, Colonialist Necrophilia Othercide and historicicide. The theoretical framework is based on theorists: a) decolonial, such as Aníbal Quijano, Grosfoguel, Maldonado Torres, Enrique Dussel and Maria Lugones; b) black feminist theorists, such as Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento and the Americans, bell hooks, Patrícia Hill Collins and Angela Davis; c) libertarian theorists, such as Kom’boa, Kropotkin and Moraes. We will use Quarto de Despejo as a concept, which is traversed by disposable, dirty places and bodies, which serve as deposits for the remains that are not used by society, a dumping room that goes beyond the physical sphere and permeates the dumping that black bodies observe in racist looks, gestures, speeches, in short, which is explicit and implicit in their daily lives. I will use healing as a concept, based on bell hooks’ idea of love as healing. Healing as a sense of returning to the past, of reestablishment, of overcoming, of celebrating our elders, is presented implicitly and explicitly in the text. A healing that transcends the self and permeates ancestry, because, when one heals oneself, all ancestors are healed. Finally, as a conclusion, in the context of the writings brought by Carolina Maria de Jesus and Conceição Evaristo, I emphasize writing as a healing process.
Keywords: Carolina Maria de Jesus
Conceição Evaristo
Mulheres negras
Black women
Cura
Healing
Subject CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::FILOSOFIA
CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::SOCIOLOGIA
Program: Programa de Pós-Graqduação em Filosofia
Production unit: Instituto de Filosofia e Ciências Sociais
Publisher: Universidade Federal do Rio de Janeiro
Issue Date: 12-Dec-2024
Publisher country: Brasil
Language: por
Right access: Acesso Aberto
Citation: Raia, Ana Lúcia da Silva. Escrevivências e Quarto de Despejo: quem irá contar essa história? 2024. 167 f. Tese (Doutorado) - Curso de Filosofia, Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2024.
Appears in Collections:Filosofia

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