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A mulher habitada: literatura e resistência na história da Nicarágua

dc.contributor.advisorPimental, Ary
dc.contributor.advisorLatteshttp://lattes.cnpq.br/3418433529196156pt_BR
dc.contributor.referee1Barbosa, Marlon Augusto
dc.contributor.referee1Latteshttp://lattes.cnpq.br/8852678553293166pt_BR
dc.creatorMoraes, Giulia Saldanha
dc.date.accessioned2026-02-16T13:13:21Z
dc.date.available2026-05-16T03:08:58Z
dc.date.issued2025-12-21
dc.description.resumoEsta monografia examina o romance A mulher habitada, de Gioconda Belli, destacando como a obra entrelaça recursos literários e o contexto sociopolítico da Nicarágua em meio ao período revolucionário. A narrativa é compreendida como um território simbólico onde memória, identidade e resistência se articulam para iluminar experiências individuais e coletivas de opressão e luta. Nesse sentido, o estudo enfatiza as categorias de subalternidade e alteridade, investigando de que modo elas se inscrevem na trajetória das personagens e na tessitura simbólica do texto. A protagonista, Lavínia, torna-se um ponto de convergência entre passado e presente ao ser habitada pelo espírito de Itzá, uma indígena cuja história tem raízes no período colonial. Esse dispositivo narrativo opera como mecanismo de reativação das camadas históricas que atravessam o imaginário nicaraguense, permitindo que antigas lutas — resistência indígena, violência colonial e exclusão de vozes femininas — ressurjam como forças que continuam a moldar a subjetividade contemporânea. Ao aproximar temporalidades distintas, o romance expõe a persistência das marcas coloniais e a vitalidade das vozes subalternas, acionando-as como memórias insurgentes que recusam o apagamento. Simultaneamente, A mulher habitada é analisado como gesto literário de contestação que desestabiliza modelos tradicionais de representação feminina e confronta estruturas de poder ainda atuantes no tecido social. A obra mobiliza a alteridade — entre mulher e espírito, entre indivíduo e comunidade, entre passado e revolução — como estratégia estética para revelar a pluralidade e a complexidade das identidades femininas em contextos de transformação política. A fusão entre Lavínia e Itzá converte corpo e subjetividade em espaços de insurgência simbólica, nos quais se articulam desejos de autonomia, consciência política e pertencimento histórico. Assim, a narrativa não apenas recupera vozes marginalizadas, mas também reescreve a participação das mulheres na luta revolucionária, propondo uma reconfiguração crítica da memória coletiva. Conclui-se, portanto, que o romance de Belli opera como instrumento literário de reconstrução histórica, reafirmando o potencial da literatura para iluminar processos de resistência, recontar histórias silenciadas e produzir novas leituras sobre identidade, gênero e transformação social.pt_BR
dc.embargo.termsabertopt_BR
dc.identifier.urihttp://hdl.handle.net/11422/28507
dc.languageporpt_BR
dc.publisherUniversidade Federal do Rio de Janeiropt_BR
dc.publisher.countryBrasilpt_BR
dc.publisher.departmentFaculdade de Letraspt_BR
dc.publisher.initialsUFRJpt_BR
dc.rightsAcesso Abertopt_BR
dc.subjectLiteratura nicaraguensept_BR
dc.subjectAlteridadept_BR
dc.subject.cnpqCNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS::OUTRAS LITERATURAS VERNACULASpt_BR
dc.titleA mulher habitada: literatura e resistência na história da Nicaráguapt_BR
dc.typeTrabalho de conclusão de graduaçãopt_BR

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