Por favor, use este identificador para citar o enlazar este ítem: http://hdl.handle.net/11422/19252
Especie: Livro
Título : A danação do olhar, ou, O realismo do engano em Eça de Queiroz
Autor(es)/Inventor(es): Figueiredo, Monica
Resumen: Este livro é um passeio inteligente pela obra de Eça de Queirós. Observa como o autor se refere as suas mulheres resistentes, os seus frágeis heróis “sem nenhum caráter”, os seus temas de escândalo salutar – adultério, celibato, incesto –, elementos que fizeram dele um autor lido com avidez e relido – por vezes com grande acerto – por autores nossos contemporâneos que confessam sua dívida com a tradição. Aborda a dificuldade de falar de autores realistas em tempos de modernidade tardia. Pode parecer em desuso o gosto de narrar, de construir heróis, de ancorar-se no tempo e na história porque, mesmo que a escrita realista promova a denúncia dos estigmas sociais da letargia, da rotina, das frivolidades e da desesperança que o tempo e o espaço metaforizam à merveille – “a pasmaceira tristonha”, a “lentidão das horas”, “o repouso dormente”, “a sussurração lenta da cidade preguiçosa” –; mesmo que ela corroa de ironia – quando não de verdadeiro sarcasmo – os fundamentos da sociedade que lhe fornece o enquadramento para seus romances, ainda assim ela é utópica, e o nosso tempo presente parece desacreditar das utopias. A literatura realista é utópica, não porque suas histórias promovam a mudança dos males sociais ou a recuperação de uma ética supostamente falida. Ela é utópica, e possivelmente ainda mais, quando reverbera esses males, quando aponta miseravelmente para portas sem saída, porque mais do que oferecer modelos de desenlaces felizes, ela supostamente clama que o leitor não seja levado a compactuar com o modelo que se lhe apresenta, que ele desconfi e até das histórias de amor possivelmente verdadeiras, que ele revisite com olhos críticos não apenas um Dâmaso, um Basílio, um Conselheiro Acácio, um padre Amaro, mas desconfi e também dos personagens aparentemente íntegros – o aristocrata generoso e positivista Afonso da Maia, que não escapa aos preconceitos de classe; o intelectual educadíssimo, mas frívolo, Carlos da Maia; o crítico exacerbado da mentalidade tacanha do Portugal de oitocentos, como João da Ega; um Ramires desejoso de resguardar em texto as glórias de um Portugal de tempos idos; e até um certo Jorge que afinal, demasiado tarde, teria tido a dignidade de perdoar o crime social do adultério da mulher – todos, enfim, incapazes de fazer girar de outro modo a roda da história, bem intencionados talvez, mas falidos todos. Esta obra é assim um convite à leitura dos romances de Eça de Queirós feito por alguém que sabe ler inteligentemente a epígrafe de Stendhal em que ele define o romance (realista) como um espelho que o autor faz mover ao longo do caminho.
Resumen: Unavailable.
Materia: Queirós, Eça de, 1845-1900
Crítica e interpretação
Realismo na literatura
Criticism and interpretation
Realism in literature
Materia CNPq: CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS
Unidade de producción: Editora UFRJ
Editor: Editora UFRJ
Fecha de publicación: nov-2022
País de edición : Brasil
Idioma de publicación: por
Tipo de acceso : Acesso Aberto
ISBN: 9786588388150
Citación : FIGUEIREDO, Monica. A danação do olhar, ou, O realismo do engano em Eça de Queirós. Rio de Janeiro, RJ: Ed. UFRJ, 2022. E-book
Aparece en las colecciones: Linguística, Letras e Artes

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